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quarta-feira, 11 de julho de 2012
Episódio 11, com Martin Jacques, esta quinta feira dia 12 de julho às 23:30, na RTP2
Para Martin Jacques o facto de a China ir suplantar a economia americana já em 2018, e não em 2025 como previsto há uns anos atrás, terá um forte impacto no mundo tal como o conhecemos. Para o autor de When China Rules the World, a ascensão de economias como a chinesa e a indiana que representam 38 por cento da população mundial, constitui o maior acto de democratização do mundo moderno. Uma nova realidade social e económica emerge a partir da ascensão da China.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Episódio 10, com Braden Allenby dia 5 de julho às 23h30, na RTP2
Braden Allenby apresenta-nos o mundo de hoje em toda a sua
complexidade, revelando as ligações discretas mas poderosas existentes entre os sistemas humano, natural e tecnológico. Vivemos, neste momento, integrados nos sistemas que criámos; os objetos tecnológicos tornaram-se uma extensão do nosso corpo, da nossa personalidade e da nossa cognição. Vivemos num mundo cada vez mais dominado por sistemas humanos que operam a vários níveis e que estão imbricados na vida dos indivíduos e do planeta. Esta condição tem implicações éticas importantes, uma vez que parar já não é opção para nós.
Começamos agora a ser capazes de avaliar as consequências de décadas de exploração dos recursos que possuímos e temos de tomar decisões éticas cruciais sobre não apenas como lidar com as consequências dos nossos atos do passado mas também sobre o mundo que queremos para o futuro. Navegar à vista, adaptando-nos ao sistema à medida que ele evolui, será a nossa condição irremediável. O mundo deixou de ter um sentido, uma finalidade, para ser um desenho em aberto. Para Allenby, o futuro é incerto, diferente, mais difícil, mas fascinante.
complexidade, revelando as ligações discretas mas poderosas existentes entre os sistemas humano, natural e tecnológico. Vivemos, neste momento, integrados nos sistemas que criámos; os objetos tecnológicos tornaram-se uma extensão do nosso corpo, da nossa personalidade e da nossa cognição. Vivemos num mundo cada vez mais dominado por sistemas humanos que operam a vários níveis e que estão imbricados na vida dos indivíduos e do planeta. Esta condição tem implicações éticas importantes, uma vez que parar já não é opção para nós.
Começamos agora a ser capazes de avaliar as consequências de décadas de exploração dos recursos que possuímos e temos de tomar decisões éticas cruciais sobre não apenas como lidar com as consequências dos nossos atos do passado mas também sobre o mundo que queremos para o futuro. Navegar à vista, adaptando-nos ao sistema à medida que ele evolui, será a nossa condição irremediável. O mundo deixou de ter um sentido, uma finalidade, para ser um desenho em aberto. Para Allenby, o futuro é incerto, diferente, mais difícil, mas fascinante.
Episódio 09 com Lula da Silva dia 5 de Julho, 21H30 na RTP2
Luíz Inácio Lula Da Silva nasceu em Pernambuco em 1945
foi operário, sindicalista e fundador do Partido dos Trabalhadores.
Entre 2003 e 2011 foi Presidente do Brasil.
Lula da Silva foi presidente do Brasil durante dois mandatos. A sua popularidade advém do seu carisma mas também da sua história de vida: um operário que chega à liderança de uma das economias mais fortes do mundo, de um dos países mais belos do mundo, de uma sociedade desigual a realizar um enorme esforço de mudança.
Em O Tempo e o Modo quisemos saber o que é que um político com a energia e capacidade de renovação deLula da Silva tenciona fazer para influenciar o modo como se constrói o futuro. Ouvimo-lo nas instalações da Fundação Lula, nos dias imediatamente a seguir a ser autorizado pelos médicos a retomar a sua vida pública.Lula fala da Europa e da atual correlação de forças no mundo, de ecologia e sustentabilidade, da inexistência de um pensamento de esquerda, de Dilma enquanto sua sucessora e da importância das mulheres na política. Lula, reflete, ainda, sobre a maneira como a doença que recentemente o afetou terá influenciado a sua vida, a maneira de olhar os outros e a forma como agora tenciona agir e viver.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Episódio 08 com Vandana Shiva
Vandana Shiva alia a física quântica ao ativismo social para resistir pacificamente a um sistema que considera ter colonizado a terra, a vida e o espírito. Conta-nos como começou a defender a floresta, as sementes e os modos de vida e produção locais contra o controlo e o registo de patentes feitos pelas multinacionais.
A análise de Shiva vai mais além: remete-nos para as profundas implicações que o sistema capitalista patriarcal tem na construção de um mundo desigual, com consequências dramáticas, como a fome ou as alterações climáticas, que, para Shiva, são sintomas de implosão de uma civilização que falha material e espiritualmente. A nossa civilização, para sobreviver, terá de rever o seu modelo de compreensão e de interação com o mundo, tendo como exemplo o conhecimento holístico das civilizações chinesa e indiana, que, para Shiva, sobreviveram à História essencialmente porque diferem do Ocidente na relação que estabeleceram com a natureza.
A análise de Shiva vai mais além: remete-nos para as profundas implicações que o sistema capitalista patriarcal tem na construção de um mundo desigual, com consequências dramáticas, como a fome ou as alterações climáticas, que, para Shiva, são sintomas de implosão de uma civilização que falha material e espiritualmente. A nossa civilização, para sobreviver, terá de rever o seu modelo de compreensão e de interação com o mundo, tendo como exemplo o conhecimento holístico das civilizações chinesa e indiana, que, para Shiva, sobreviveram à História essencialmente porque diferem do Ocidente na relação que estabeleceram com a natureza.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Episódio 07
Motivada pela responsabilidade que representa ter nascido na upper class parisiense, Esther Duflo escolheu ser economista, conciliando investigação e ação. Partindo da interrogação sobre o que é a pobreza, fala-nos do modo como a realidade é materializada pelos políticos. Na verdade, para Duflo, muitas políticas de desenvolvimento, onde a questão da pobreza é o objeto central, são pouco eficazes, porque partem de pressupostos errados sobre a pobreza e os pobres. Uma armadilha a que Duflo chama o "triplo i": ideologia, ignorância e inércia.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
06 Karen Armstrong
Karen Armstrong identifica a compaixão como o traço comum das diferentes religiões
e vê no sofrimento uma força criadora. Segundo esta escritora inglesa, o sofrimento é
transversalmente partilhado, nem que seja pela nossa comum condição mortal, que,
só por si, deveria permitir-nos entender a dor do próximo. Hoje, mais do que nunca, o
mundo precisa de compaixão e pormo-nos no lugar do outro tornou-se um imperativo
ético.
Não basta, porém, acreditar nesta “regra de ouro”: é necessário pô-la em prática, encontrar formas criativas de tornar possível uma ética da compaixão. Karen Armstrong sugere que comecemos por nos escutar uns aos outros, não para encontrarmos uma verdade única, mas para construirmos uma narrativa que não se relacione apenas com factos mas também com uma realidade interior. Karen Armstrong sugere igualmente que retomemos o mito como forma de conhecimento e, acima de tudo, como exercício que nos prepara espiritualmente para a ação.
Não basta, porém, acreditar nesta “regra de ouro”: é necessário pô-la em prática, encontrar formas criativas de tornar possível uma ética da compaixão. Karen Armstrong sugere que comecemos por nos escutar uns aos outros, não para encontrarmos uma verdade única, mas para construirmos uma narrativa que não se relacione apenas com factos mas também com uma realidade interior. Karen Armstrong sugere igualmente que retomemos o mito como forma de conhecimento e, acima de tudo, como exercício que nos prepara espiritualmente para a ação.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
05 Suad Amiry
Suad Amiry é escritora por acidente, mas contadora de histórias por natureza. Conta-
-nos o lado humano da ocupação, o quotidiano dos Palestinianos que vivem sob o
escrutínio e controlo de Israel. Revela-nos sobretudo a resiliência de um povo que
escolhe o humor para lidar com a tragédia e que mantém a sanidade rindo-se do absurdo
em que se encontra. Um povo que escolheu as pequenas coisas do dia a dia para se
opor à construção de um muro.
Para escrever, basta ter uma história para contar, e Amiry conta-nos a história de milhões de pessoas que um dia viram a sua vida usurpada e reflete sobre o conflito que existe na região — essencialmente sobre o controlo de território. Um conflito que divide de forma irremediável dois povos que a nossa recente história coletiva tornou vizinhos.
Para escrever, basta ter uma história para contar, e Amiry conta-nos a história de milhões de pessoas que um dia viram a sua vida usurpada e reflete sobre o conflito que existe na região — essencialmente sobre o controlo de território. Um conflito que divide de forma irremediável dois povos que a nossa recente história coletiva tornou vizinhos.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
04 Gonçalo M. Tavares
Gonçalo M. Tavares fala-nos da nossa condição humana neste início do século XXI.
Para o escritor, este século é dominado pela crença no signo, mas num signo que
perdeu o seu referente material concreto. Neste sentido, para Gonçalo M. Tavares, o
progresso tornou-se essencialmente imaginário e profundamente associado à evolução
tecnológica, e não necessariamente à evolução ética. O exemplo por excelência é o
das sociedades contemporâneas baseadas na eficácia e no dinheiro, o qual deixou de
se referir a um objeto material para se relacionar de forma meramente simbólica ou
imaginária com um sistema financeiro.
Esse desprendimento em relação à realidade da matéria e a contínua aceleração provocada pela busca da eficácia técnica resultaram num mundo que se movimenta autonomamente com cada vez mais velocidade.
Gonçalo M. Tavares descreve a decadência da sociedade contemporânea como uma queda, na medida em que, tal como um corpo que cai não escolheu cair, também já não escolhemos a direção que seguimos enquanto sociedade. Resta-nos aceitar a queda e escolher o modo como queremos cair: destemperada ou elegantemente, com calma, como o senhor Calvino de um dos seus contos.
Esse desprendimento em relação à realidade da matéria e a contínua aceleração provocada pela busca da eficácia técnica resultaram num mundo que se movimenta autonomamente com cada vez mais velocidade.
Gonçalo M. Tavares descreve a decadência da sociedade contemporânea como uma queda, na medida em que, tal como um corpo que cai não escolheu cair, também já não escolhemos a direção que seguimos enquanto sociedade. Resta-nos aceitar a queda e escolher o modo como queremos cair: destemperada ou elegantemente, com calma, como o senhor Calvino de um dos seus contos.
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quarta-feira, 23 de maio de 2012
03 Lucrecia Martel
Para Lucrecia Martel, o cinema consente um olhar mais curioso do que vedado por
preconceitos. Lucrecia pensa o cinema como uma forma de acesso ao real, como um
modo de questionar a nossa perceção da realidade, sendo pelo cinema que esta adquire
significado. Neste sentido, o cinema devolve-nos uma abertura ao mundo que se perdeu
com a socialização ou com outros sistemas de modelação que influenciam a nossa
forma de entender e sentir a realidade.
Assim, o cinema possibilita também um olhar político sobre o mundo, permitindo-nos voltar a ver o que é evidente mas que esquecemos ou escolhemos esquecer. A nossa perceção é moldada, com a anuência de todos, por uma versão da história. Contudo, a humanidade tem mais cambiantes do que aquelas que nos oferece a visão contemporânea de um mundo global. Para Lucrécia Martel, a essência da vida não é abarcável e o cinema permite-nos justamente olhar para essa transcendência que é, afinal, diz Martel, parte de nós mesmos.
Assim, o cinema possibilita também um olhar político sobre o mundo, permitindo-nos voltar a ver o que é evidente mas que esquecemos ou escolhemos esquecer. A nossa perceção é moldada, com a anuência de todos, por uma versão da história. Contudo, a humanidade tem mais cambiantes do que aquelas que nos oferece a visão contemporânea de um mundo global. Para Lucrécia Martel, a essência da vida não é abarcável e o cinema permite-nos justamente olhar para essa transcendência que é, afinal, diz Martel, parte de nós mesmos.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
02 Laurie Anderson
Nas palavras de Laurie Anderson, somos capazes de dar forma, de desenhar, não apenas as coisas à nossa volta, mas também a nossa própria identidade, a nossa personalidade. A tecnologia é um mero instrumento - tal como o lápis - para desenhar o mundo, e permite-nos avaliar a nossa capacidade enquanto indivíduos de ação. Esta realidade leva-nos a duas situações: por um lado, somos capazes de determinar a nossa própria existência; por outro somos constantemente limitados pela forma como
desenhámos o mundo e a vida.
Este desenho é certamente condicionado por fatores externos e obedece a categorias que nos fazem pensar o mundo de forma subjetiva e fechada. Deste modo, tornamo-nos ignorantes e criamos uma linguagem e uma cultura que não nos permitem equacionar realidades – como a pobreza ou a guerra – para além daquelas que encontramos no perímetro onde nos movemos. Laurie Anderson fala-nos também das consequências da atual crise financeira e da forma como os movimentos sociais, que daí emergiram, permitem voltar a questionar a narrativa dominante da cultura Americana.
terça-feira, 8 de maio de 2012
01 Eduardo Galeano
Para Eduardo Galeano,
a vida é a relação entre o querer e o poder, entre o que existe e
o que acreditamos existir, entre a nossa fantasia e a circunstância
realmente vivida. Galeano entende 0 realidade como sendo muito mais
rica e diversificada do que a forma como por vezes a vemos, limitados
por um sistema de valores que cerceia a nossa compreensão e a nossa
disponibilidade para ver o desconhecido como uma oportunidade — e
não como uma ameaça.
Ao longo da História,
criámos uma narrativa sobre nós, humanos, que ignora as vivências
dos que não se encontram no poder, como as mulheres, as culturas
indígenas, ou os pobres. Uma narrativa baseada em fraturas, não
apenas entre nós e os outros mas também entre o corpo e a alma ou o
passado e o presente. Galeano propõe reconstruir a memória, escutar
as palavras nunca escutadas e ver o mundo com outros olhos, unindo o
que está separado.
Galeano é o autor
“senti-pensante” que sonhou um dia ser jogador de futebol; depois
quis ser santo e, finalmente, escritor.
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